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Acesso aberto Revisado por pares
Desafio

Qual o Diagnóstico?

What is the Diagnosis?

Joao Durval1,*; Jardel Godinho2; Jaqueline Padilha5

DOI: 10.24207/jac.v32i1.996_PT

FIGURAS

Citaçao: Durval Jr. J, Godinho J, Padilha J. Qual o Diagnóstico?. Arq Bras Cardiol 32(1):14. doi:10.24207/jac.v32i1.996_PT
 

APRESENTAÇAO DO CASO

Paciente mulher, 54 anos, com queixas de palpitaçoes esporádicas, sem uso de medicaçoes e com coraçao estruturalmente normal, apresenta-se no consultório onde é realizado o eletrocardiograma apresentado na Fig. 1. A Fig. 2 corresponde à monitorizaçao prolongada da derivaçao D2 com sensibilidade 2N.

 

RESPOSTA

No eletrocardiograma (ECG) de 12 derivaçoes (Fig. 1), pode-se visualizar um ritmo sinusal com bigeminismo atrial, sendo que a extrassístole atrial apresenta intervalo de acoplamento longo em relaçao à onda P precedente. Para melhor compreensao do caso, realizou-se, entao, monitorizaçao com D2 longo e sensibilidade de 2N (Fig. 2). Nessa monitorizaçao, as ectopias atriais (* na Fig. 2) começam a apresentar variaçoes de acoplamento em relaçao à onda P sinal precedente (3 e 4) e iniciam uma alternância com um ritmo atrial ectópico (5 e 6) que apresenta a mesma morfologia de P dos batimentos extrassistólicos, sugerindo que a origem seja a mesma nas duas situaçoes. Ainda na Fig. 2, observando-se a sequência (5) de batimentos ectópicos, nota-se uma ritmicidade com frequência de 880 ms interrompida por ausência de batimento ectópico (** na Fig. 2) seguido por ritmo sinusal com frequência menor à do foco ectópico. Na sequência 6, um batimento ectópico é seguido de batimento sinusal, retornando ao ritmo ectópico. Pela ritmicidade das ectopias, observa-se que em alguns momentos essa apresenta perda de captura atrial, o que evidencia um fenômeno de parassistolia com bloqueio de saída intermitente.

A parassistolia surge devido à existência de uma ou mais células cardíacas com propriedades automáticas protegidas do ritmo básico por um bloqueio de entrada. Nesse caso, isso é observado pois o batimento sinusal nao reinicia o ciclo do foco ectópico (*** na Fig. 2). O marcapasso dominante é incapaz de excitar essa área. Concomitantemente, encontra-se um bloqueio de saída, variável e intermitente, que impede o impulso despolarizante aí originado de atingir a musculatura subjacente em várias ocasioes. Pode-se, ainda, sugerir que o foco da parassistolia seja em regiao média de átrio direito, pela aparência da morfologia da onda P do foco ectópico com a da onda P em ritmo sinusal, porém com menor amplitude em derivaçoes inferiores, sugerindo uma localizaçao abaixo do nó.1

 

AGRADECIMENTO

Caso gentilmente cedido pelo Prof. Dr. José Tarcísio Medeiros de Vasconcelos, Centro Avançado de Ritmologia e Eletrofisiologia (C.A.R.E.), Sao Paulo/SP, Brasil.

 

REFERENCIAS

Josephson ME; Wellens JJH. Tachycardias: Mechanisms, diagnosis, treatment. Philadelphia, PA: Lea & Febiger; 1984 p.287-30.

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