0
Visualização
Acesso aberto Revisado por pares
Desafio em Eletrofisiologia: Qual o Diagnóstico?

Desafio em Eletrofisiologia: qual o diagnóstico?

Raphael Chiarini

FIGURAS

Citação: Chiarini R. Desafio em Eletrofisiologia: qual o diagnóstico?. Arq Bras Cardiol 31(4):144.
 

DESCRIÇÃO DE CASO CLÍNICO

Paciente do sexo feminino, com 32 anos de idade, apresentava crises de palpitações e cansaço recorrentes. Não foram encontradas evidências de acometimento cardíaco estrutural. A paciente foi submetida a um estudo eletrofisiológico com vista a concomitante ablação percutânea por corrente de radiofrequência. A Figura 1 corresponde ao eletrocardiograma de 12 derivações de taquicardia induzida no procedimento. A Figura 2 corresponde aos achados obtidos com monitorização intracavitária. Qual é o mecanismo da taquicardia?

 

DISCUSSÃO

A taquicardia da Figura 1 corresponde a uma taquicardia regular, de complexos QRS estreitos, com ciclo de 390 ms, relação P-QRS de 1:1; intervalo RP longo (200 ms) e sequência caudo-cranial/direita-esquerda de ativação atrial. O eletrocardiograma abre a perspectiva para três possibilidades diagnósticas: 1) taquicardia atrial primária com relação atrioventricular (AV) de 1:1, com origem da ativação atrial em porções baixas de átrio direito; 2) taquicardia AV nodal atípica do tipo rápido-lenta; e 3) taquicardia atrioventricular por via acessória de condução lenta (tipo Coumel).

Na Figura 2 fica configurada de forma clara a relação de enlace AV 1:1, com ativação atrial mais precoce nas porções posterosseptais, avaliadas pelos eletrogramas do seio coronariano proximal. O terceiro complexo QRS é determinado por um estímulo ventricular prematuro introduzido em momento de refratariedade de His, que não antecipa o eletrograma atrial subsequente, mas o perturba sob a forma de postergação do evento esperado em 35 ms. Esse fenômeno, designado fenômeno de pós-excitação, caracteriza o diagnóstico de taquicardia atrioventricular mediada por via acessória de condução lenta e é consequente à propriedade de condução lenta da via acessória. O estímulo artificial, sendo prematuro em relação ao ciclo da taquicardia, determina um alentecimento adicional de condução pela via acessória, postergando a despolarização atrial subsequente (Figura 3).

 

AGRADECIMENTO

Caso gentilmente cedido pelo Prof. Dr. José Tarcísio Medeiros de Vasconcelos, do Centro Avançado de Ritmologia e Eletrofisiologia (C.A.R.E.), São Paulo, SP, Brasil.

 

REFERÊNCIAS

Josephson ME. Josephson's Clinical Cardiac Electrophysiology: Techniques and Interpretations. 5th ed. Philadelphia, PA: Wolters Kluwer; 2016.
Zipes DP, Jalife J. Cardiac Electrophysiology: From Cell to Bedside. 6th ed. Philadelphia, PA: Saunders; 2014.

© Todos os Direitos Reservados 2019 - Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular